21 agosto 2006
love is a ache
Na madrugada fria habito. E não é uma metáfora. O ar gelado congela minhas mãos. Meus dedos engelados, duros, apertam as teclas que estão interconectadas com pensamentos, sentimentos, sensações. Expressões que me levam diretamente a ti. À sua lembrança e às suas palavras soltas pelo ar. O tempo vai passando, as folhas vão mudando sua tonalidade lentamente. Nossas vidas separadas por um imenso muro, um oceano que se abriu entre poucos quilômetros. É eu me ver no espelho, que vejo ali um reflexo estranho e íntimo. Sinto um amor que não sei a quem pertence, e nem de onde vem. Sim, vejo em meu rosto... A mesma imagem que está congelada na mente de alguém, por aí... Vejo em minha boca, a ânsia de um coração à espera das minhas palavras. Em meus olhos, o desejo de ver-se flutuando pela minha íris. Pelas minhas narinas entra o ar que você acabou de respirar. Meus cabelos certamente bagunçados pelo toque suave de suas mãos... E meus ouvidos, contemplados pelas coisas que você nunca teve coragem de me falar. No meu pescoço resquícios do seu amor selvagem, entre hematomas de beijos e mordidas que registram um calor infindável que vem do seu coração. Em meu peito, meu coração acelerado por uma simples presença sua, outrora tão comum. Em meu pensamento, a saudade e a coleção de pequenos momentos frágeis e curtos. Ah, o espelho... Dá-me tudo que não tenho.
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