30 janeiro 2009

✖ [Skins] Episódio #2: Perfeita Imperfeição ✖

. Perfeição


Às vezes parece que a perfeição nos persegue: melhores filhos, melhores alunos, melhores profissionais, melhores pessoas. Nos deparamos o tempo todo com a urgência de sermos mais bonitos, mais atraentes, mais saudáveis - quando o organismo tem o capricho de nos lembrar disso. E tudo na ânsia de sermos felizes, amados por quem desejamos, remunerados nos melhores empregos, admirados por todos. E a falha... essa não é permitida. Não há espaço para uma gordurinha a mais, para as limitações, defeitos e sobretudo, para o elemento principal na construção do ser humano: O erro.

Eduardo Cavanus


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Uma Série de Tom


Skins


|Episódio2| Perfeita Imperfeição




Alice, olhando para os olhos do filho, estava estática.

[Tom] Mãe, eu sinto muito.

Alice baixou a cabeça e ficou calada por um instante.

[Tom] Não queria que você soubesse de tudo dessa maneira. Você não merece isso. O GZ sempre foi assim, você sabe. Vocês dois não são mais felizes juntos, sei que é duro, o casamento de vocês acabou! Mas ele vai ter a lição que merece! A nossa vida vai ser melhor sem a presença dele e...

Tom, nervoso, não parava de falar. Torcia que a mãe não tivesse ouvido muita coisa. Mas antes que pudesse falar mais alguma coisa, Alice levantou a cabeça, e gritou:

[Alice] EU AMO O MEU MARIDO!
[Tom] (confuso) Quê...?!
[Alice] Ele pode ter mil e um defeitos, mas ele é meu marido. Ele é o homem que eu amo. E você não tem o direito de destruir o meu casamento.
[Tom] Mãe, você ouviu bem? Ele te TRÁI!
[Alice] Traição foi você não confiar à sua própria mãe o seu maior segredo.

Tom estava atônito.

[Alice] Você e a Natureza mentiram pra mim... Mentiram para todo mundo! Durante esse tempo todo!
[Tom] E você acha que isso é fácil pra mim?!

Alice parou por um segundo.

[Alice] Fácil, não é. Mas difícil é ter caráter. E não foi desta forma que eu te eduquei.
[Tom] Não fiz nada com intenção de te magoar...
[Alice] Mas me magoou. Muito. Ser o que você é... Isso... Homos... Ga....
[Tom] Gay.

Ao ouvir aquela palavra, Alice começou a chorar. Desabou no chão. Tom se aproximou para apoiá-la.

[Alice] Por favor, me deixe sozinha.

Ao ser repreendido, Tom foi invadido por um sentimento de culpa e tristeza. Era horrível aquela sensação de magoar uma das pessoas que mais amava. Tudo o que fizera foi para poupar a mãe daquela decepção. Atordoado e com uma dor imensa por todo o corpo, saiu de casa, sem rumo e sem saber o que fazer.

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O celular tocou. Um rapaz pegou o telefone e fitou o visor, calado.

[Natureza] Quem está te ligando?
[Lost] É ele. O Tom.
[Natureza] Você não vai atender?
[Lost] Pra quê? Sei até quais as desculpas esfarrapadas que ele vai me dar. Não.

Lost desligou o celular. Ainda estava furioso pelo fato de ter visto seu namorado o traindo com Dark.

[Natureza] Lost, eu sei o quanto é duro para nós tudo isso. Porém, eu tenho certeza que não foi por maldade. Na hora, eu não vou negar, me senti muito mal em ver a Dark me traindo, mas o que me incomoda, não foi essa estupidez, e sim, o fato de que ela é desse jeito, toda assanhada. Mas o Tom... Ele estava bêbado!
[Lost] Ah não, Nat! Vai defender o Tom agora?!
[Natureza] Eu conheço o Tom como conheço a palma da minha mão. Você sabe disso.
[Lost] Ok, ele estava bêbado. Mas ele não me ama.

Rancoroso, Lost estava irredutível com a idéia de não perdoar o namorado. Natureza, no fundo, sabia que o que o amigo acabara de dizer era verdade.

[Lost] Vamos, Nat! Essa é a hora que você deveria dizer "Hey, é claro que ele te ama!".

Natureza suspirou e abraçou o amigo.

[Natureza] Às vezes, a gente ama mais do que deveria.


Enquanto isso...


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[Tom] Ah, Renato, eu preciso conversar mas precisava ser aqui?
[Renato] Sou seu melhor amigo mas também tenho necessidades digestivas...
[May] Ow uau, aqui é bárbaro! Estou morta de fome.

May e Renato devoravam seus lanches.

[Renato] Afinal, o que aconteceu, Tom?
[Tom] Minha mãe descobriu tudo sobre eu e Lost. E ainda por cima, bati no GZ.

Renato engasgou.

[Renato] Você está falando sério?

Brincando com um canudinho, May sorria e olhava perdidamente para o seu copo plástico de coca .

[May] (ri) Coca-cola. É bárbaro!

Tom e Renato olharam para May sem entender nada.

[May] Desculpe. O que vocês estavam falando?
[Tom] Eu liguei pro Lost, mas ele não me atende.
[May] Eu vou ao banheiro, ok?

Terminada a refeição, May correu para o banheiro feminino. Estava se sentindo cheia. Isso a incomodava. Entrou na cabine, ajoelhou-se, pôs o dedo na goela e forçou o vômito.

[May] Não posso perder o controle! Tenho que emagrecer mais!

Com os olhos lacrimejando, May limpava sua boca com o papel-higiênico. Respirou fundo e sentiu-se aliviada. Diante do espelho, lavou seu rosto e observou seu corpo. Ao olhar para a própria barriga, apertou os incômodos pneuzinhos.

[May] Que droga, eu ainda estou acima do peso.

Ao voltar para a mesa onde estavam Renato e Tom, May por um instante sentiu uma vertigem. Apoiou-se sobre a mesa.

[Renato] Está tudo bem?

Assustada, May mudou seu semblante imediatamente e sorriu.

[May] Estou bárbara. Mas e então, Tom, está tudo certo?
[Tom] Infelizmente não. Quero falar com minha mãe, resolver minha situação com o Lost, Dark e Natureza...
[Renato] Tom, relaxa. Dê um tempo. O que é mais importante agora? O que eles precisam ou o que você precisa?

Impotente diante do turbilhão de coisas que aconteciam, Tom consentiu.


Ainda no apartamento da Nat...


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Natureza alongava na sala de ginástica do seu apartamento.

[Victória] Hoje é domingo, mas você não pode relaxar!
[Natureza] Eu estou cansada, mãe. Ontem foi um dia difí­cil, pôxa.
[Victória] Sem mas, nem menos. Você é filha de Victória Riccinelli. A imprensa não nos dá paz momento algum e quando você estrear na televisão, você tem que estar perfeita! Genética não é tudo!

Victória era uma das mulheres mais belas do paÃís. Atriz, modelo e ex-miss Brasil, ela preparava sua sucessora: A própria filha.

[Natureza] Tudo o que eu mais queria era ter ficado com o Lost conversando...
[Victória] Conversa não enche a barriga de ninguém. Quer conversar? Quer desabafar? Então seja apresentadora do Casos de Família ou da Hora da Verdade. É isso que você quer pra sua vida? É?! Ser uma apresentadorazinha horrorosa de quinta-categoria?! Nem pensar!
[Natureza] Que saco mãe!

Natureza fazia os exercí­cios pacientemente enquanto a mãe a vigiava como um cão de guarda.

Praça Santos Dumont


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Sentados num banco da praça, Milo, Dark e Samuka conversavam enquanto fumavam.

[Milo] O fato é que você é um mocorongo.
[Samuka] Pra você é fácil dizer isso, pois não tem pais controladores.
[Milo] Mocorongo!
[Samuka] Eu queria muito ter ido na festa do Tom mas minha mãe não deixou, ia fazer o quê? Matar ela?
[Milo] Mocorongo, mocorongo, mocorongo!
[Dark] Meninos parem de brigar!
[Milo] Vamos chamar o resto da turma pra vir aqui?
[Dark] Ah Milo, esqueceu que as coisas andam tensas? A Natureza e o Lost não vão querer falar comigo tão cedo.
[Milo] Mocoronga!
[Dark] Não enche, oquei? Estou com essa ressaca fudida, então me poupe.
[Samuka] Vou ligar para o Tom.
[Milo] Sua mãe deixa?
[Samuka] Porque você tem que ser assim com todo mundo?
[Milo] Com todo mundo, nãoo. Só com os mocorongos.

Milo abriu sua mochila e tomou outra pílula. Incrédula, Dark reagiu na hora.

[Dark] Qual é? Você não consegue ficar longe dessa porcaria?

Milo sorriu sarcasticamente e ignorou.

[Samuka] Tom, May e Renato estão vindo pra cá agora.
[Milo] Finalmente. A sua voz tem sido um soní­fero pra mim, Bento 16...
[Samuka] Me deixa, vai!
[Milo] Reza o terço que passa a raiva.

O celular de Samuka tocou.

[Milo] É a mamãe! Vai ter que ir pra casa!

Samuka atendeu o telefone. Era sua mãe.

[Samuka] Mãe, são 3 da tarde!!!
[Milo] Coroinha dorme cedo...

Ao desligar o celular, Samuka estava inconformado. Pra piorar, bem naquele instante, Tom, May e Renato chegaram.

[Samuka] Bem, tenho que pegar o ônibus e ir pra casa, pessoal.
[May] (sorri) Ônibus... Uau... É bárbaro! Rodar pela cidade e ver a paisagem pela janela...

Todos se entreolharam.

[Milo] Bárbaro seria você muda.
[Dark] Oi May... Renato... Oi Tom.

Ao cumprimentar Tom, Dark ficou sem graça.

[Tom] Relaxa, Dark. O que aconteceu ontem é o meu menor dos problemas...
[Dark] É?
[Tom] Minha mãe já sabe de tudo.
[Milo] Taí outro mocorongo.
[Renato] Vira o disco, Milo!
[Milo] Ih, pelo visto não trepou com a doida...

Renato corou. A verdade é que a tão sonhada noite em que iria perder a virgindade com May, não aconteceu.

[Renato] Errr...
[May] Ow uau, tô sentindo um cheiro bárbaro vindo daquele quiosque. Vamos comer algo?!

Renato sentiu-se grato por aquela mudança de assunto.

Casa de Samuka


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|Samuka| Pô, mãe! Eu nunca posso ficar com meus amigos.
|Daniela| Mas como não? Hoje você passou 3 horas com eles!
|Samuka| Por isso mesmo! Eu nunca saio... Nunca vou para as festas, sempre obedeci o seu toque de recolher, nunca deixei de ir na igreja com a senhora, e pôxa, eu tenho 18 anos!
|Daniela| Estou te protegendo. Um dia você ainda irá me agradecer.
|Samuka| Será que você não vê como sou infeliz com essa merda de vida que eu levo?
|Daniela| Olha o palavreado! Tá vendo o por quê que você ainda não pode sair de casa?
|Samuka| Palavreado? Merda é palavreado?
|Daniela| Chega de conversa. Se arrume pois nós vamos a missa daqui a uma hora.
|Samuka| Mas eu já rezei hoje, mãe.
|Daniela| Fé nunca é demais.


No banheiro do Quiosque da Praça


May estava ajoelhada outra vez. Socou seu dedo dentro da boca. Tossia sem parar.

[May] Ai, rápido! Nunca vou ser magra desse jeito!

Não demorou muito e ela vomitou. Ao terminar, seus olhos estavam vermelhos. Chorou. Alguém bateu na porta do banheiro.

Toc, Toc

[Renato] May, você está bem?

Renato abriu a porta do banheiro.

[Renato] Você estava vomitando?

Não Perca no Próximo Episódio!


. Dor



|Balão| Eu tenho vergonha de ser seu irmão.
[Lost] Coincidência, o mesmo vale pra você!



Entre um remédio e outro, Milo delirava. Os azulejos do banheiro pareciam adquirir vida própria. Tudo ficou nebuloso aos seus olhos e o jovem desmaiou.
[Dark] Meu Deus, ele está sem pulso!



Sozinho no escuro, Lost observava seu braço. Pegou um gilete e começou a se cortar. O sangue escorria sem parar.

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