15 fevereiro 2007

Capitulo 1 - The Pilot Parte 2

- Desculpe... Não foi minha intenção parar aqui. Na verdade, eu nem sei bem ao certo onde estou. – Respondeu Giorgio, a essa altura também assustado. Afinal, não sabia o que estava fazendo ali! Se a professora Mônica ao menos tivesse explicado porque ele foi mandado para ali.
- Ah! Você deve ser o primo Giorgio! Que mora na Itália! – Entusiasmou-se a jovem moça, ainda na janela.
- É? Acho que sou... – Giorgio ainda não estava entendendo nada. – Meu nome é Giorgio, e até onde eu lembre, há uns cem anos atrás, eu costumava morar na Itália.
A moça ficou séria por um instante, pensativa, e gargalhou.
- Cem anos atrás? – kkkkkkk - Você é engraçado... Por favor, Entre! Na verdade a Tia Milu havia dito que você viria apenas na semana que vem... Ainda bem que a casa está organizada.
Ao se levantar do chão, Giorgio então percebeu que havia ao seu lado também, duas malas enormes, as quais deveriam ser suas. Segurou suas malas, e entrou na casa da sua recém-descoberta prima, sobrinha da tal Tia Milu.
- Bem, me desculpe. Acho que te acordei..?
- Oh, não, não. Na verdade eu estava deitada vendo um dvd... “Now and Then”. Conhece? É a segunda vez que estou vendo este filme. Ah! Que cabeça a minha, nem me apresentei ainda: Sarah. Com “h” no final, ok?
Giorgio riu, e ao sentar-se no sofá da sala pôde observar como era bonita e estranha aquela casa por dentro.
- Então, Sarah-com-agá-no-final, é madrugada agora? – Além de tudo, Giorgio deduziu que estava com o fuso horário desajustado. Meia hora atrás eram 17 horas em Floriworts, Inglaterra, e agora, era madrugada naquele estranho lugar que ele nem ao menos sabia onde era.
- Oh, sim. Fuso horário é realmente uma dor de cabeça. São 3 horas da manhã. Se eu soubesse que você viria hoje, eu teria te buscado no aeroporto...
- Mas eu não vim de avião... Eu vim pela fumaça lançada pela chave de portal.
Mais uma vez Sarah riu. Só então Giorgio pôde ter certeza de que a jovem não conhecia sua verdadeira origem.
- Você quer comer algo? Ou prefere deitar-se? – Sarah estava cumprindo as honras da casa.
- Não obrigado, eu já comi dois filhotes de dragão.
Sarah riu mais uma vez.
- Engraçado. A Tia Milu não havia mencionado o seu senso de humor. Ele é bem vindo. Eu sou uma chata. Você vai ver. Oh meu Deus! – Sarah percebeu que ainda vestia apenas um justíssimo baby-doll. – Me perdoe! Eu não lembrava mais que estava apenas de baby-doll. Aliás, esta não é a primeira vez que os meus baby-dolls resolvem me deixar nessa situação.
- Não precisa se preocupar. Eu sou gay. – Respondeu Giorgio, esperando por mais uma gargalhada da prima. Mas desta vez ele havia se enganado. Ao contrário de uma sonora gargalhada, a prima ficou séria de repente. Em seguida, com a voz embargada de emoção, Sarah agarrou-lhe e o abraçou efusivamente.
- Obrigada meu Padim Cícero! Eu sempre quis ter um amigo gay por perto! Agora tenho com quem conversar... Sabe, tem alguém ai mexendo comigo... E como mexe! Eu não sei mais o que fazer. Já me entreguei praticamente de bandeja pra ele, como um leitão assado, com aquela maçãzinha linda na boca... Esse pessoal se passa! Oh meu Deus! Estou te chateando? – Sarah então percebeu que quase não parava de falar.
- Ah não, não. Você não me chateia. Só estou um pouco atordoado. A viagem me deixou cansado. – Giorgio estava surpreso. Havia alguém no mundo tão louco quanto ele. Definitivamente eles eram primos. A genética não negava.
- Claro, claro. Você fez uma longa viagem...
- Bem, na verdade, acho que a viagem durou uns oito minutos. Ops, eu quis dizer, umas... Oito horas!!
- Oito minutos? Engraçadinho! Bom, logo ali, no final do corredor está o seu quarto. Fique a vontade. Afinal, vamos morar juntos por no mínimo uns cinco anos, não é mesmo?!
- O quê?! – Sem querer, o moço deu um berro. A nova informação agora deixava Giorgio ainda mais atordoado. Minutos antes ele era apenas um adolescente semi-órfão feliz numa escola de recuperação para indivíduos ligeiramente alegres demais, e agora, ele estava na casa de uma prima desconhecida, num lugar desconhecido, e rumo a fazer coisas igualmente desconhecidas por cinco anos no mínimo.
- Engraçadinho. Entendo o seu espanto: Eu sei que sou chata, mas cinco anos morando comigo não vão ser tão tortuosos assim, ok?
Passando pelo corredor que levava para ao seu quarto, Giorgio deu outro berro: Ao se ver no espelho da parede, aparentava estar bem mais velho. - Quantos anos eu tenho?! – Giorgio notou que havia uma barba por fazer em seu rosto, que havia crescido mais uns quinze centímetros, e que já não era mais um adolescente.
- Giorgio! Você bebeu? – Sarah já estava estranhando o excesso de “bom humor” do primo. – Por favor, diga que sim e que sobrou alguma garrafa de vinho... No mínimo umas duas garrafas de qualquer coisa que contenha álcool.
- Não, não, eu nunca bebi. – Respondeu Giorgio, ainda perplexo ao se ver adulto no espelho.
- Nunca bebeu?! Mentira!!! – Sarah estava incrédula. – Pôxa, eu tenho 20 anos como você, mas eu já tomei mil e um porres. Ok, eu sei que pareço uma Bridget Jones, solteirona e fracassada no amor, mas nããão! Eu parei de beber, e hoje sou uma garota legalmente sóbria. – Sarah sorriu presunçosamente
- Nós temos 20 anos?! – Giorgio ainda estava coletando as informações absurdas e novas para ele.
- Ta, eu sei que pareço uma velha, mas eu nasci em 1986. E você também em 1986. Não é?
- 1986?! - Espantou-se Giorgio - Sim, em 1986... – Giorgio respondeu sem muita firmeza. Era estranho ser um adolescente de 114 anos em 1897 e em uma hora transformar-se num jovem de 20 anos que nasceu em 1986. O que pelas contas significava que...estavam em 2006! – Estamos em 2006???? – Perguntou Giorgio ainda mais chocado.
Sarah, que começou então começara a ajudar o primo a desfazer as malas, virou-se para o primo:
- Giorgio você não está bem, hum? É claro que estamos em 2006! Em que ano estaríamos?
Giorgio, ao perceber a confusão, tentou consertar o seu espanto.
- É que eu não me acostumei ainda. O ano 2000 foi o mais feliz da minha vida, e desde então, eu sempre acho que ainda estamos no ano 2000.
Sarah, sem entender nada, torceu o nariz para a esquisitice do primo.
- Credo, o ano 2000 foi horroroso. Eu ainda assistia Chiquititas escondida...
- Assistia Chiquititas? – Giorgio não fazia a menor idéia do que se tratava.
- É, é, é... Chiquititas. Você não teve infância? Todo mundo faz essa cara quando eu conto que assistia Chiquititas. Ah! É óbvio que você nunca ouviu falar em Chiquititas. Você morava na Itália...
- É. Pode ser. – Giorgio, ainda sem nada entender, apenas consentiu com o que a prima dissera.
- Bem, a conversa está ótima mas agora vou dormir, ok? Boa noite, e fique a vontade. Amanhã te mostro o resto da casa. – Sarah bocejava.
- Ok, boa noite Sarah. – Giorgio viu sua prima fechar a porta do seu quarto, e sentou-se na sua cama. Tudo ali era estranho demais: uma cama maneira, uma caixa preta em cima da mesinha da frente, uma outra caixa branca que parecia uma máquina em cima da escrivaninha, sem contar nas lâmpadas modernas e os botões nas paredes. E ficou o restante da noite pensando. Por que será que ele estava ali? Será que estava recuperado e o Professor Dumbledore havia liberado ele para “testar” se ele realmente já estava curado? Por que agora iria viver cinco anos com uma prima que ele nem tinha conhecimento que existia? O que teria que fazer ali naquele lugar desconhecido, com aquelas pessoas desconhecidas? E também anos mais velho! Já não era mais um adolescente. Que passagem de tempo foi aquela? Estava acostumado com chaves de portais que o tele-transportavam para outros lugares, mas não para anos mais tarde! E foi assim, num turbilhão de pensamentos, que Giorgio adormeceu.

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