O Outro Lado Do Portal
Capitulo 3 – Rebeca.
- Ela me paga! Me paga! – Giorgio despertou na manhã seguinte com o som de uma voz feminina aos berros. – Maldita hora que isso foi acontecer.
Curioso, Giorgio levantou da cama, esfregou os olhos e saiu do quarto. Quem será que está gritando à essa hora da manhã? Pela voz, não pode ser a Sarah. Ao chegar à sala, encontrou uma moça com a cara mais vermelha do que um tomate. Estava furiosa e andava de um lado para o outro. Usava trajes hippies, sandálias e carregava uma bolsa de crochê. Sentada no sofá, espantada, encontrava-se Sarah segurando um copo d´água.
- Você tem certeza de que não quer água? – Sarah esticou o braço oferecendo o copo para a moça.
- Água? Quem disse que eu preciso de água?! Olha bem pra mim! Eu estou muito calma... Muito calma! Apenas estou com vontade de assassinar uma certa criatura! Eu estou calma, calmíssima. – Nesse instante, a moça, nervosa, notou a presença de Giorgio – Estou tão calma que já estou até enxergando o seu novo namorado, Sarah!
Sarah virou-se para trás, viu que o primo estava parado à porta e logo tratou de apresentá-los um ao outro.
- Oh não, não. Não é meu namorado. É meu primo Giorgio! Giorgio, esta é a Rebeca. Minha amiga de infância. Rebeca, este é o meu primo Giorgio. Aquele que eu disse que iria morar comigo, lembra?
- Olá... – Cumprimentou Giorgio, intimidado com a fúria da moça esquisita de roupas hippies. – Tudo bem?
- Tudo péssimo. Minha madrasta fugiu pra Bósnia com o namoradinho tailandês e me deixou praticamente sem nada. A desgraçada passou todos os bens do meu falecido pai pro nome dela... Tudo o que me resta é um muquifo com um sofá velho e 3 panelas furadas...
- E o colchonete da sua bisavó... – Acrescentou Sarah.
- Ah, e o colchonete-com-cheiro-de-velho que era da minha bisavó. É tão velho que ela trepava com o Marechal Deodoro da Fonseca naquele projeto de colchão. Mas enfim. Agora tenho que pensar em como vou me manter. Aquela mucama ficou até com o dinheiro da poupança que meu pai deixou pra mim. – Rebeca estava inconformada.
- Calma miguety... Tudo vai ficar bem. Pelo menos a nossa escola é de graça. Nós passamos com louvor nos testes de admissão. A bolsa vai ser free! – Sarah tentou consolar a amiga, que espumava de raiva.
- Ok, ok... Pelo menos isso. Depois vou procurar um advogado para resolver essa história. – Rebeca aproximou-se da janela e acendeu um cigarro. Giorgio sentou-se ao lado da prima.
- Se você quiser tomar café, a mesa da cozinha está pronta... – Falou prontamente Sarah para Giorgio.
- Não, obrigado... Mais tarde eu como alguma coisa. – Giorgio ainda estava desnorteado com a sua situação. Estar num lugar diferente, com pessoas diferentes e em uma época diferente deixava-o sentindo-se como um peixe fora d´água.
- Então Giorgio, você vai estudar na PopoMusical com a gente? – Questionou Rebeca enquanto tragava o seu cigarro.
- Ahm... Quê? – Giorgio não sabia o quê dizer.
- Vai sim! O Giorgio foi admitido no curso de vocal da PopoMusical. – Sarah respondeu. O que deixou Giorgio grato por não ter que falar nada. Mas agora, ele não estava entendendo nada mesmo. Curso de vocal? PopoMusical? Que diabos seria aquilo?!
- Você gosta de cantar? Eu vou fazer curso de bateria. – Rebeca já estava acendendo o seu segundo cigarro. – Os rapazes do curso de vocal costumam ser maravilhosos! Lindos... Bonitos e gostosões... Uh! Aquele alemão do terceiro ano é um pão! Possua-me! – Rebeca arrepiou-se toda.
- Pena que quase todos são gays... – Lamentou Sarah num tom de voz baixo.
- Gays! Que desperdício de homem nesse planeta! – Rebeca finalmente jogava o seu cigarro fora. – Não me diga que você também é um...? – Agora a moça olhava para Giorgio, que permanecia observando calado a tudo.
- Errr... Sou. – Respondeu Giorgio sem graça.
- Não é o máximo?! – Sarah abriu um largo sorriso. – Agora tenho alguém pra dar um selinho nas festas! – Sarah apertou a mão do primo e piscou.
De repente, do nada, a bolsa de Rebeca começou a emitir luzes das mais variadas cores e a apitar uma música estranha e robótica. Giorgio assustou-se. Rebeca abriu a sua bolsa e pegou um aparelhinho, apertou algum botão, e levou o objeto ao ouvido e começou a falar.
- Felícia?
Giorgio olhou para Sarah sem entender nada.
- Não se assuste. O celular da Rebeca é esquisito mesmo. Ela está falando com a namorada dela. – Explicou calmamente Sarah.
- Celular? Namorada? – Giorgio não sabia sequer o que era celular. E a informação de que Rebeca tinha namorada também o deixou surpreso.
- Hellow?! Celular, objeto usado para conversar com outras pessoas. E sim, ela tem namorada. A Rebeca diz que o mundo é bi...
- Ah, acho que entendi. – Giorgio levantou e resolveu ir até cozinha tomar o seu café. – Vou tomar meu café, ok?
- Ok, acho que também vou contigo. – Os dois primos entraram na cozinha e deixaram a amiga na sala conversando com sua namorada.
- Ela é sua melhor amiga? – Perguntou Giorgio, enquanto sentava-se à mesa e servia-se de café.
- A Rebeca? Sim, sim... Ela e a Valentina. A Valentina mora na casa vermelha que fica aqui em frente. Também somos amigas de infância. – Respondeu Sarah enquanto passava manteiga na sua torrada.
- Hum. E quando começam....as nossas aulas...no....PopoMundo? – Já que não tinha alternativa, Giorgio convenceu-se de que tinha que se adaptar ao novo mundo. Seja lá o que fosse, teria que encarar. O Professor Dumbledore e a Professora Mônica não teriam lhe mandado ali se não fosse por um importante objetivo.
- PopoMusical. – Corrigiu Sarah. – Começam daqui uma semana. Nós dois vamos estudar na mesma classe. A Rebeca vai fazer Bateria sozinha. Diogo vai fazer dança, Valentina ainda não terminou a escola, e o Roger está no segundo ano de Guitarra e Flauta. Esses são os meus amigos, que a partir de agora serão os seus também.
- Legal. – Respondeu Giorgio. Talvez estar ali nem seria tão mal assim. Um novo mundo parecia muito interessante para ele. Conhecer pessoas diferentes e fazer coisas diferentes o deixariam animados logo, logo. Apenas precisava falar com o Professor Dumbledore. Ele tinha que explicar-lhe o que estava acontecendo. Quem sabe ele conseguiria enviar alguma mensagem para Dumbledore através de algum espelho. Os anjos costumavam comunicar-se entre si através de espelhos. E pelo que lembrava, havia dois espelhos em seu quarto.
- Giorgio? Está me ouvindo? – Giorgio estava tão absorto em seus pensamentos, que não ouvira a prima oferecendo-lhe mais café.
- Não, não, obrigado. Já tomei café o suficiente. – Agradeceu Giorgio. – Posso tomar banho?
- Claro! No seu quarto tem um banheiro. Ele é seu. Fique a vontade.
Enquanto Giorgio levantava-se para tomar banho e tentar alguma comunicação com Dumbledore, Rebeca entrou na cozinha.
- Hoje é o dia: Eu e a Felícia discutimos. Ela quer ter uma conversa séria comigo. Marcamos de nos ver hoje à tarde no Pub´s Grill. – Rebeca parou diante da janela da cozinha e puxou outro cigarro.
- Rebeca! Pare de fumar! – Protestou Sarah.
- Têm tequila sobrando ai? – Perguntou Rebeca, sem se importar com o protesto da amiga.
- Tequila?! Mas são 9 horas da manhã Rebeca!!! – Sarah não conseguia acreditar no que acabara de ouvir.
- Mas eu preciso me embriagar! Quero beber até eu estiver tão tonta, a ponto de dançar Macarena em cima do altar da igreja.
- É ruim hein? – Sarah levantou-se também e começou a tirar a louça da mesa enquanto Giorgio enfim foi para o seu quarto tomar banho.
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