30 janeiro 2009

✖ [Skins] Episódio #2: Perfeita Imperfeição ✖

. Perfeição


Às vezes parece que a perfeição nos persegue: melhores filhos, melhores alunos, melhores profissionais, melhores pessoas. Nos deparamos o tempo todo com a urgência de sermos mais bonitos, mais atraentes, mais saudáveis - quando o organismo tem o capricho de nos lembrar disso. E tudo na ânsia de sermos felizes, amados por quem desejamos, remunerados nos melhores empregos, admirados por todos. E a falha... essa não é permitida. Não há espaço para uma gordurinha a mais, para as limitações, defeitos e sobretudo, para o elemento principal na construção do ser humano: O erro.

Eduardo Cavanus


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Uma Série de Tom


Skins


|Episódio2| Perfeita Imperfeição




Alice, olhando para os olhos do filho, estava estática.

[Tom] Mãe, eu sinto muito.

Alice baixou a cabeça e ficou calada por um instante.

[Tom] Não queria que você soubesse de tudo dessa maneira. Você não merece isso. O GZ sempre foi assim, você sabe. Vocês dois não são mais felizes juntos, sei que é duro, o casamento de vocês acabou! Mas ele vai ter a lição que merece! A nossa vida vai ser melhor sem a presença dele e...

Tom, nervoso, não parava de falar. Torcia que a mãe não tivesse ouvido muita coisa. Mas antes que pudesse falar mais alguma coisa, Alice levantou a cabeça, e gritou:

[Alice] EU AMO O MEU MARIDO!
[Tom] (confuso) Quê...?!
[Alice] Ele pode ter mil e um defeitos, mas ele é meu marido. Ele é o homem que eu amo. E você não tem o direito de destruir o meu casamento.
[Tom] Mãe, você ouviu bem? Ele te TRÁI!
[Alice] Traição foi você não confiar à sua própria mãe o seu maior segredo.

Tom estava atônito.

[Alice] Você e a Natureza mentiram pra mim... Mentiram para todo mundo! Durante esse tempo todo!
[Tom] E você acha que isso é fácil pra mim?!

Alice parou por um segundo.

[Alice] Fácil, não é. Mas difícil é ter caráter. E não foi desta forma que eu te eduquei.
[Tom] Não fiz nada com intenção de te magoar...
[Alice] Mas me magoou. Muito. Ser o que você é... Isso... Homos... Ga....
[Tom] Gay.

Ao ouvir aquela palavra, Alice começou a chorar. Desabou no chão. Tom se aproximou para apoiá-la.

[Alice] Por favor, me deixe sozinha.

Ao ser repreendido, Tom foi invadido por um sentimento de culpa e tristeza. Era horrível aquela sensação de magoar uma das pessoas que mais amava. Tudo o que fizera foi para poupar a mãe daquela decepção. Atordoado e com uma dor imensa por todo o corpo, saiu de casa, sem rumo e sem saber o que fazer.

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O celular tocou. Um rapaz pegou o telefone e fitou o visor, calado.

[Natureza] Quem está te ligando?
[Lost] É ele. O Tom.
[Natureza] Você não vai atender?
[Lost] Pra quê? Sei até quais as desculpas esfarrapadas que ele vai me dar. Não.

Lost desligou o celular. Ainda estava furioso pelo fato de ter visto seu namorado o traindo com Dark.

[Natureza] Lost, eu sei o quanto é duro para nós tudo isso. Porém, eu tenho certeza que não foi por maldade. Na hora, eu não vou negar, me senti muito mal em ver a Dark me traindo, mas o que me incomoda, não foi essa estupidez, e sim, o fato de que ela é desse jeito, toda assanhada. Mas o Tom... Ele estava bêbado!
[Lost] Ah não, Nat! Vai defender o Tom agora?!
[Natureza] Eu conheço o Tom como conheço a palma da minha mão. Você sabe disso.
[Lost] Ok, ele estava bêbado. Mas ele não me ama.

Rancoroso, Lost estava irredutível com a idéia de não perdoar o namorado. Natureza, no fundo, sabia que o que o amigo acabara de dizer era verdade.

[Lost] Vamos, Nat! Essa é a hora que você deveria dizer "Hey, é claro que ele te ama!".

Natureza suspirou e abraçou o amigo.

[Natureza] Às vezes, a gente ama mais do que deveria.


Enquanto isso...


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[Tom] Ah, Renato, eu preciso conversar mas precisava ser aqui?
[Renato] Sou seu melhor amigo mas também tenho necessidades digestivas...
[May] Ow uau, aqui é bárbaro! Estou morta de fome.

May e Renato devoravam seus lanches.

[Renato] Afinal, o que aconteceu, Tom?
[Tom] Minha mãe descobriu tudo sobre eu e Lost. E ainda por cima, bati no GZ.

Renato engasgou.

[Renato] Você está falando sério?

Brincando com um canudinho, May sorria e olhava perdidamente para o seu copo plástico de coca .

[May] (ri) Coca-cola. É bárbaro!

Tom e Renato olharam para May sem entender nada.

[May] Desculpe. O que vocês estavam falando?
[Tom] Eu liguei pro Lost, mas ele não me atende.
[May] Eu vou ao banheiro, ok?

Terminada a refeição, May correu para o banheiro feminino. Estava se sentindo cheia. Isso a incomodava. Entrou na cabine, ajoelhou-se, pôs o dedo na goela e forçou o vômito.

[May] Não posso perder o controle! Tenho que emagrecer mais!

Com os olhos lacrimejando, May limpava sua boca com o papel-higiênico. Respirou fundo e sentiu-se aliviada. Diante do espelho, lavou seu rosto e observou seu corpo. Ao olhar para a própria barriga, apertou os incômodos pneuzinhos.

[May] Que droga, eu ainda estou acima do peso.

Ao voltar para a mesa onde estavam Renato e Tom, May por um instante sentiu uma vertigem. Apoiou-se sobre a mesa.

[Renato] Está tudo bem?

Assustada, May mudou seu semblante imediatamente e sorriu.

[May] Estou bárbara. Mas e então, Tom, está tudo certo?
[Tom] Infelizmente não. Quero falar com minha mãe, resolver minha situação com o Lost, Dark e Natureza...
[Renato] Tom, relaxa. Dê um tempo. O que é mais importante agora? O que eles precisam ou o que você precisa?

Impotente diante do turbilhão de coisas que aconteciam, Tom consentiu.


Ainda no apartamento da Nat...


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Natureza alongava na sala de ginástica do seu apartamento.

[Victória] Hoje é domingo, mas você não pode relaxar!
[Natureza] Eu estou cansada, mãe. Ontem foi um dia difí­cil, pôxa.
[Victória] Sem mas, nem menos. Você é filha de Victória Riccinelli. A imprensa não nos dá paz momento algum e quando você estrear na televisão, você tem que estar perfeita! Genética não é tudo!

Victória era uma das mulheres mais belas do paÃís. Atriz, modelo e ex-miss Brasil, ela preparava sua sucessora: A própria filha.

[Natureza] Tudo o que eu mais queria era ter ficado com o Lost conversando...
[Victória] Conversa não enche a barriga de ninguém. Quer conversar? Quer desabafar? Então seja apresentadora do Casos de Família ou da Hora da Verdade. É isso que você quer pra sua vida? É?! Ser uma apresentadorazinha horrorosa de quinta-categoria?! Nem pensar!
[Natureza] Que saco mãe!

Natureza fazia os exercí­cios pacientemente enquanto a mãe a vigiava como um cão de guarda.

Praça Santos Dumont


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Sentados num banco da praça, Milo, Dark e Samuka conversavam enquanto fumavam.

[Milo] O fato é que você é um mocorongo.
[Samuka] Pra você é fácil dizer isso, pois não tem pais controladores.
[Milo] Mocorongo!
[Samuka] Eu queria muito ter ido na festa do Tom mas minha mãe não deixou, ia fazer o quê? Matar ela?
[Milo] Mocorongo, mocorongo, mocorongo!
[Dark] Meninos parem de brigar!
[Milo] Vamos chamar o resto da turma pra vir aqui?
[Dark] Ah Milo, esqueceu que as coisas andam tensas? A Natureza e o Lost não vão querer falar comigo tão cedo.
[Milo] Mocoronga!
[Dark] Não enche, oquei? Estou com essa ressaca fudida, então me poupe.
[Samuka] Vou ligar para o Tom.
[Milo] Sua mãe deixa?
[Samuka] Porque você tem que ser assim com todo mundo?
[Milo] Com todo mundo, nãoo. Só com os mocorongos.

Milo abriu sua mochila e tomou outra pílula. Incrédula, Dark reagiu na hora.

[Dark] Qual é? Você não consegue ficar longe dessa porcaria?

Milo sorriu sarcasticamente e ignorou.

[Samuka] Tom, May e Renato estão vindo pra cá agora.
[Milo] Finalmente. A sua voz tem sido um soní­fero pra mim, Bento 16...
[Samuka] Me deixa, vai!
[Milo] Reza o terço que passa a raiva.

O celular de Samuka tocou.

[Milo] É a mamãe! Vai ter que ir pra casa!

Samuka atendeu o telefone. Era sua mãe.

[Samuka] Mãe, são 3 da tarde!!!
[Milo] Coroinha dorme cedo...

Ao desligar o celular, Samuka estava inconformado. Pra piorar, bem naquele instante, Tom, May e Renato chegaram.

[Samuka] Bem, tenho que pegar o ônibus e ir pra casa, pessoal.
[May] (sorri) Ônibus... Uau... É bárbaro! Rodar pela cidade e ver a paisagem pela janela...

Todos se entreolharam.

[Milo] Bárbaro seria você muda.
[Dark] Oi May... Renato... Oi Tom.

Ao cumprimentar Tom, Dark ficou sem graça.

[Tom] Relaxa, Dark. O que aconteceu ontem é o meu menor dos problemas...
[Dark] É?
[Tom] Minha mãe já sabe de tudo.
[Milo] Taí outro mocorongo.
[Renato] Vira o disco, Milo!
[Milo] Ih, pelo visto não trepou com a doida...

Renato corou. A verdade é que a tão sonhada noite em que iria perder a virgindade com May, não aconteceu.

[Renato] Errr...
[May] Ow uau, tô sentindo um cheiro bárbaro vindo daquele quiosque. Vamos comer algo?!

Renato sentiu-se grato por aquela mudança de assunto.

Casa de Samuka


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|Samuka| Pô, mãe! Eu nunca posso ficar com meus amigos.
|Daniela| Mas como não? Hoje você passou 3 horas com eles!
|Samuka| Por isso mesmo! Eu nunca saio... Nunca vou para as festas, sempre obedeci o seu toque de recolher, nunca deixei de ir na igreja com a senhora, e pôxa, eu tenho 18 anos!
|Daniela| Estou te protegendo. Um dia você ainda irá me agradecer.
|Samuka| Será que você não vê como sou infeliz com essa merda de vida que eu levo?
|Daniela| Olha o palavreado! Tá vendo o por quê que você ainda não pode sair de casa?
|Samuka| Palavreado? Merda é palavreado?
|Daniela| Chega de conversa. Se arrume pois nós vamos a missa daqui a uma hora.
|Samuka| Mas eu já rezei hoje, mãe.
|Daniela| Fé nunca é demais.


No banheiro do Quiosque da Praça


May estava ajoelhada outra vez. Socou seu dedo dentro da boca. Tossia sem parar.

[May] Ai, rápido! Nunca vou ser magra desse jeito!

Não demorou muito e ela vomitou. Ao terminar, seus olhos estavam vermelhos. Chorou. Alguém bateu na porta do banheiro.

Toc, Toc

[Renato] May, você está bem?

Renato abriu a porta do banheiro.

[Renato] Você estava vomitando?

Não Perca no Próximo Episódio!


. Dor



|Balão| Eu tenho vergonha de ser seu irmão.
[Lost] Coincidência, o mesmo vale pra você!



Entre um remédio e outro, Milo delirava. Os azulejos do banheiro pareciam adquirir vida própria. Tudo ficou nebuloso aos seus olhos e o jovem desmaiou.
[Dark] Meu Deus, ele está sem pulso!



Sozinho no escuro, Lost observava seu braço. Pegou um gilete e começou a se cortar. O sangue escorria sem parar.

12 novembro 2008

memórias

Quando eu era pequeno, eu tinha a mania de me esconder dentro do guarda-roupa da minha mãe.
Não lembro bem o porquê disso.
Mas ficava lá, no escuro, encolhido, escondidinho, pensando na vida.
Hoje, com vinte e poucos anos nas costas, sinto novamente e com freqüência essa vontade de entrar naquele guarda-roupa e nunca mais sair de lá.
Ficar sozinho no escuro, sem ninguém por perto, apenas pensando.
Ou então com aquela falsa idéia de que lá estarei protegido de tudo e todos.
Talvez lá dentro, eu encontrasse uma passagem secreta para um novo mundo, onde tudo é ridiculamente melhor do que realmente é...
Doce ilusão.

03 setembro 2008

✖ [Skins] Episódio #1: Um Mundo de Aparências ✖

. Aparências

Todo mundo tem um segredo: uma reputação a zelar, verdades a serem omitidas, fragilidades escondidas e a falsa impressão de sermos mais fortes. O medo muitas vezes nos deixa aterrorizados com a possibilidade de não sermos aceitos. Constantemente somos submetidos a fazer escolhas - algumas tão fáceis que são óbvias, outras imensamente dolorosas. Seguir o nosso próprio caminho nem sempre é fácil. Afinal, vivemos o tempo todo tentando agradar a todos e esquecemos a pessoa mais importante nessa história: Nós mesmos.

Eduardo Cavanus



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Uma Série de Tom


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|Episódio1| Um Mundo de Aparências



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Um rosto no espelho. Com o olhar profundo um rapaz observa-se silenciosamente. Os cabelos castanhos caíam sobre os seus olhos verdes. Calmamente passou o gel e ajeitou seu penteado. Apertou o nó da sua gravata e certificou-se de que seu terno não estava amarrotado.

É mãe. Você venceu. Cá estou novamente com essa roupa de pinguim apenas para satisfazer a sua vontade.

[GZ] Tom, vem logo. Estamos te esperando!
[Tom] Já estou indo!

Ao sair do banheiro de seu quarto, Tom encontrou seu padrasto GZ sentado na cama enviando uma mensagem de celular para alguém. Certamente alguma de suas amantes.

[Tom] Mandando mensagem pra qual delas agora?

GZ rapidamente guardou seu celular e levantou em direção a porta.

[GZ] Vamos descer. Sua mãe Alice já está esperando há dez minutos.
[Tom] Você não é mais feliz com ela, não é mesmo?

GZ fitou o rapaz com uma expressão séria. Deu um sorriso sarcástico e ignorou o enteado mais uma vez.

[Tom] Se você não está mais feliz com ela, acabe logo com esse casamento.

Ao chegarem na escada que dava para a sala principal da casa, uma cantoria interrompeu aquele diálogo.

Parabéns pra você, nesta data querida, muitas felicidades...


Toda a família Drummond estava ali. Tom completava 20 anos naquele dia. Ao final dos parabéns, Alice abraçou o filho.

[Alice] Parabéns filho! Tá na hora de criar juízo hein?!
[Tom] Tá, mãe...
[Joana Célia] Meu afilhado! Vinte anos! Vem cá me dar um abraço! Parabéns.
[Tom] Obrigado madrinha.
[Joana Célia] E vê se começa a estudar, arrumar um emprego e...
[Tom] Harrãm.
[Thales] Mãe, tia! Hoje não é dia para cobranças. Mano, feliz aniversário!

Após desvincular-se do abraço da madrinha Joana - irmã de Alice, Tom foi abraçado fortemente pelo seu irmão Thales, cinco anos mais novo que ele.

[Tom] Te amo, cara!

Thales deu um beijo no rosto do irmão.

[Alice] Aqui está o seu presente, Tom.

Alice estendeu a mão e entregou ao filho um cheque.

[Alice] Este dinheiro é para o seu cursinho pré-vestibular e os livros necessários para os seus estudos, ok?
[Tom] Obrigado, mãe. Pode deixar comigo.

Enquanto outros tios e avós cumprimentavam o aniversariante, uma estonteante morena surgiu no meio de toda aquela gente com um enorme sorriso.

[Natureza] Parabéns, meu amor!

A garota beijou Tom na boca e deu-lhe o presente: Um convite para uma festa.

[Natureza] Dona Alice, minha sogra, será que posso roubar o Tom de você? Vamos comemorar em alto estilo na boate Lexus!

A beleza de Natureza hipnotizava a todos. GZ espiava o decote da garota.

[Alice] E há algo que eu possa negar a você, Nat? Com meu filho em suas mãos, ele está praticamente nas mãos de Deus.
[GZ] Ele está nos seios de uma deusa, isso sim! - Sussurrou GZ.

Alice virou para o marido e sorriu.

[Alice] O que você disse?
[GZ] Nada não! Acho melhor então liberá-los já, senão irão perder a festa.

Tom e Natureza despediram-se da família. Ao saí­rem da casa, os dois se entreolharam e gargalharam. Tom arrancou fora sua gravata e sacudiu seu cabelo, deixando-o arrepiado. Despiu seu paletó e tirou a camisa de dentro da calça, deixando sua aparência mais informal.

[Tom] Agora sim, estou pronto pra balada! Onde estão todos?
[Natureza] Lost e Dark estão nos esperando no carro. May, Milo e Renato ligaram mil vezes e já estão na festa nos esperando.

Ao chegarem no carro, Natureza correu para os braços de Dark e beijou-a na boca. Lost, já bêbado, por sua vez, agarrou Tom, mordeu seus lábios e beijava seu pescoço.

[Tom] Hey, pare! Aqui não! Alguém pode nos ver!
[Lost] Happy Birthday, honey!

Ao dizer isso, Lost caiu tonto nos braços de Tom. O energético com whisky que bebia com Dark já fazia efeito. Dark tragou um baseado e estava eufórica.

[Dark] Woooooooohu, hoje a noite é nossa!!!
[Tom] Não vejo a hora de encontrar a galera. É hoje que o Renato vai deixar de ser um garotinho virgem: A May está na parada!
[Dark] A May? Fala sério! Ela não estava no hospital até esses dias?! Não duvido nada que ela dê pra trás...
[Natureza] Essa aí foi liberada do hospital faz tempo. Ela só não pode ficar perto de facas. Aquela garota dá pra qualquer um. Ela é burra o suficiente pra transar com o Renato.
[Tom] O importante é que o nosso amigo Renatinho enfim conheça as delícias da vida.


Na Balada...


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Chegando na balada, todos os garotos abraçaram o aniversariante. Milo acabava de beijar a sétima garota da noite, Renato, calado, bebia uma cerveja e May, sorria o tempo todo, admirando as pessoas que se divertiam.

[May] Então, Tom, vinte anos. Uau, bárbaro!

May, ainda sorrindo, abraçou Tom e passou a mão no volume do rapaz.

[Tom] Hey, o esquema não é comigo. É com o Renato! Esqueceu?
[May] Ah, é o Renato...

May riu, abraçou Renato e beijou-o no canto da boca.

[May] Ow uau, você é bárbaro!
[Renato] Err...

Renato corou. Quando May o soltou, Natureza e Dark puxaram a garota para irem ao banheiro. Os garotos riram da cara do amigo.

[Tom] Hoje é o meu aniversário, mas parece que é o Renato quem irá ganhar presente.
[Renato] Engraçadinhos. Eu continuo achando que isso não vai dar certo...
[Milo] Pentelho, não vacila! Tudo o que você precisa é deixar a menina chapadona e dar o bote!

Milo abriu a mão de Renato e entregou-lhe umas pílulas. Tom apertou o ombro de Renato e piscou o olho.

[Tom] Renato, deixa de ser fresco. Mas hey, cadê o animal do Samuka?
[Milo] Adivinha: Preferiu ficar em casa pertinho da mamãe.
[Lost] Ele é uma anta mesmo. Com 19 anos, ainda obedece pai e mãe. Eu, que tenho 17, faço o que eu quiser.
[Tom] É um Zé Mané. Mais fácil encontrarmos ele numa festa de Igreja do que aqui.
[Lost] Tá. Não estamos aqui pra falar do Samuka, estamos? Vamos aproveitar a festa!

Os meninos bebiam e fumavam sem parar. Milo não paráva de ingerir as suas pílulas-mágicas. Tom já estava tontíssimo. Tudo o que via era o mundo girando, as luzes piscando sem parar, vultos e sombras. Dançando no meio daquele aglomerado de gente, acabou se perdendo do restante da turma. Ao encontrar Dark no bar, dirigiu-se até ela.

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[Dark] E aí, Tom! Dose tripla de tequila, topa?! Põe o sal na mão, beba a dose num gole só e chupa o limão!
[Tom] É pra já! Arriba muchacha!

Bêbado, Tom ria sem parar. Dark, num momento de ímpeto, agarrou Tom e os dois se beijaram ardentemente.

[Lost] Filhos da puta!!!!



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A Festa Esquenta...



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Nervoso, Lost avançou em Tom e deu-lhe um tapa na cara. Todos ao redor olhavam a cena.

|Rapaz| Ihhhh, homem dando tapa em homem. Que coisa de mulherzinha!
[Lost] Você fique calado! Ou leva um tapa também.

Tom, com a mão no rosto, cambaleava.

[Dark] Lost, esse ciúme é ridículo! Vamos beijar a três então, woooohu!
[Tom] A três é pouco! (gargalha)

Os outros garotos apareceram. Natureza não estava entendendo nada

[Natureza] O que é que está acontecendo?
[Lost] Pergunte para a sua linda e fiel namorada.
[Dark] Beijei o Tom. E beijei mesmo! E querem saber mesmo? Foi gostoso pra caramba!

Dark estava enlouquecida com o efeito do álcool.

[Dark] Podíamos fazer um swing aqui mesmo.
[Natureza] Dark, pára. Olha a vergonha que você está nos fazendo passar.
[Dark] Que é? Vai dizer que você não sente nada quando beija o Tom na frente dos pais dele?
[Natureza] Não.

Renato e May, ao perceberem que as coisas estavam tensas, levaram Tom pra fora. Milo, tropeçando em todos os presentes, pegou Dark pelo braço e seguiu os três. Natureza e Lost, visivelmente irritados, saíram juntos pelo lado oposto.

[Milo] Mas que merda é essa? Não podem fazer sacanagem sem atrapalhar a festa dos outros?
[Dark] Sacanagem... Quer fazer sacanagem com a gente também, Milo?
[Renato] Com ou sem sacanagem, o fato é que a festa acabou pra nós.
[May] Que pena. Agora que começaram a piscar luzes azuis e amarelas no refletor da pista.

Tom, que não parava mais em pé, foi carregado por Renato. Para sorte de May, Milo ainda conseguia carregar Dark.

[Dark] Será que eu fiz merda, Milo?
[Milo] Seráááá? Será que fez?!
[Dark] Sei lá. Só sei que eu estou muito toooooooooooonta.
[Milo] E eu também! Eis o nosso destino: Um bêbado cuidando de outro.



No Dia Seguinte...


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Tom abriu os olhos. Sua cabeça pesava como nunca. Aquela dor estava quase o matando. Olhou ao redor. Estava em seu quarto. Aparentemente são e salvo. Não lembrava de nada. Aos poucos algumas cenas apareciam em sua mente: Seu aniversário... Sua família cantando parabéns... A balada... Tequila... Dark... O beijo. O tapa que Lost deu.

[Tom] Caralho!

Tom olhou seu celular. Nenhuma mensagem. Nenhuma chamada perdida. Ao levantar, sua cabeça doeu ainda mais.

[Tom] Que se foda. Meu namoro com Lost terminou mesmo.
[Homem]O que foi que você disse?

Tom olhou para a porta. Gelou. Seu padrasto estava ali.

[GZ] O seu amigo Lost? Você namora um homem?
[Tom] Quantas vezes eu disse pra bater antes de entrar no meu quarto?!
[GZ] Eu ouvi bem, você disse "Meu namoro com Lost terminou"
[Tom] Não seja paranóico!
[GZ] Meu Deus, não tem vergonha?! Não estuda, não trabalha, e ainda por cima, é um viado!

Ao ouvir tamanha afronta, Tom ficou enfurecido. Respirou fundo numa tentativa de se acalmar.

[GZ] Olha a decepção que você vai dar para sua mãe.
[Tom] (bufando) Não fale da minha mãe!
[GZ] Só sabe ir pra balada, beber, fumar... Anda com esses amigos que só sabem fazer farra... Não tem pena do quanto sua mãe sofre por sua causa?
[Tom] Por minha causa?!
[GZ] Você só sabe dar desgosto pra ela.
[Tom] CALE A BOCA!!!!

Tom pegou GZ pelo colarinho e empurrou-o na parede.

[Tom] Quem é você pra falar isso? Você não tem moral nenhuma pra dizer nada sobre a minha mãe.
[GZ] Eu tenho a consciência limpa.
[Tom] Consciência limpa? Você é louco?!

Tom berrava cada vez mais alto. Seu irmão Thales, entrou no quarto assustado.

[Tom] Você trái a minha mãe há anos! Leva as suas vagabundas pra transar na nossa casa de praia, na mesma cama em que você deita com a mamãe!
[GZ] Eu tenho a consciência tranqüila.
[Tom] Seu filho da puta! Você não presta!
[GZ] Pelo menos eu não sou viado!

Irado, Tom fechou o seu punho com toda a força que pôde e golpeou seu padrasto, que caiu no chão. Thales, em pânico, gritou por socorro, mas não havia ninguém na casa.

[Thales] Parem, pelo amor de Deus!
[Tom] Seu filho da puta, você merece morrer!
[GZ] (ofegando) Vou enfartar, Thales.
[Tom] Vai enfartar porra nenhuma! Não se faça de vítima!

Thales ajudou seu pai a levantar. Tom, nervoso, saiu do quarto tremendo de ódio e com lágrimas nos olhos. Tudo o que queria naquele momento, era estar o mais longe possível daquela casa. Mas, para o seu azar, a última pessoa que deveria ter presenciado aquela cena, estava ali, bem na sua frente, estática: Sua mãe, Alice.

[Tom] Mãe?!

Não Perca o Próximo Episódio!




|Rodrigo| Filha, qual é o seu problema?!
[May] Faz três dias que estou vomitando tudo o que como.




Natureza chora
[Natureza] Minha mãe, Victoria, foi Miss Brasil. E eu passei a vida inteira sendo comparada com a beleza dela. Você acha que é fácil?!



|Samuka| Mas eu já rezei hoje, mãe.
|Daniela| Fé nunca é demais.



[Roteiro e Direção]
Tom
[Criação Visual]
Fernando
Hermano
Sunção
Tom

[Elenco deste Episódio]
GZ
Tom
Alice
João Célio
Thales
Natureza
Lost
Dark
May
Renato
Milo
[Livremente Adaptado de]
Skins

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26 agosto 2008

.carregando o sol

E aqui estamos nós
Caminhando sobre o tempo
Diante de um futuro que parece tão nebuloso
Nós conhecemos bem essa maldição
Não é facil não estarmos com quem amamos
A dor tem nos punido sem parar
Enquanto isso eu venho tentando carregar o sol sozinho
Debaixo dessa chuva sem fim

E eu tento viver
Mas é difícil amando somente você
Eu estou dando o meu melhor
Pra suportar tudo isso
Não é algo que desejei

Me sinto assustado o tempo todo
É algo tão precioso pra mim
E em doces pensamentos
Me pego segurando a sua mão novamente
Como gostaria de estar por toda a eternidade

Eu não posso prometer
Que algum dia serei perfeito pra você
Mas eu posso jurar
Que de qualquer maneira
Eu sempre irei dar o meu melhor

Eu não sou perfeito
Sou apenas um alguém
Destroçado, perdido e só
E tudo que tenho dado
É tudo o que eu tenho

Talvez seja errado
Mas sou sincero
E isso é o que eu sinto...

19 agosto 2008

uma saudade oca

Chuva! Chuvinha! Vem, Vem cá, rapaz!

Chuva! Chuvinha! Vem, vem cá, rapaz!



...time crying...you'll be crying... I'm sorry I made you cry...I didn't
mean to, let me wipe those tears away...wipe those tearsaway...don't cry
baby...it's only rain...



...toda vez que ouço essa música, é como se você voltasse pra mim.

|Aparências|

Introdução do primeiro episódio de Skins que escrevi para o TVA.

. Aparências

Todo mundo tem um segredo: Uma reputação a zelar, verdades a serem omitidas, fragilidades escondidas e a falsa impressão de sermos mais fortes. O medo muitas vezes nos deixa aterrorizados com a possibilidade de não sermos aceitos. Constantemente somos submetidos a fazer escolhas - algumas tão fáceis que são óbvias, outras imensamente dolorosas. Seguir o nosso próprio caminho nem sempre é fácil. Afinal, vivemos o tempo todo tentando agradar a todos e esquecemos a pessoa mais importante nessa história: Nós mesmos.

17 agosto 2008

ruínas e melodia

olhos fechados.
no ouvido, uma melodia.
estranhamente calma.
me sinto em paz
enquanto lá fora tudo está ruindo.
mas quem se importa?
tudo parou. tudo mesmo.
já nem sinto nada mais
nunca estive tão perto do fim.
do céu? talvez o seu inferno.
a dor física não se compara a dor da alma
falhei em absolutamente tudo.

22 julho 2008

Mensagem ao vento

Difícil é seguir adiante sem sequer olhar pra trás.
Olhar pra trás é doloroso.
Perigoso e traiçoeiro.

14 julho 2008

chuva...

...chuvinha!

Chuva! Chuvinha! Vem, Vem cá, rapaz!
Chuva! Chuvinha! Vem, vem cá, rapaz!



Virei uma estátua de sal.

22 junho 2008

Stay...

Elisa - Stay


You did not dare say a single word
Você não ousa dizer uma única palavra
I did not dare ask for something more
Eu não me atrevo a pedir algo mais
I´ve kept my questions secret deep inside
Eu tenho minhas perguntas secretas mantidas no fundo
But I wish I could have let you know about
Mas eu gostaria de poder informá-lo sobre
A time when I would have said
Um tempo em que eu teria dito

Wait, and please stay
Espere e por favor fique
Did you mean to push me away?
Você quis me afastar de você?
Please wait and just stay
Espere e por favor fique
Did you want it to be this way?
Você queria que isto fosse assim?

Would you want to know what I've been through?
Você gostaria de saber o que eu tenho atravessado?
(Through all this time... all this time)
Por todo este tempo...todo este tempo
Would you want to know I have missed you too
Você quer saber o quanto eu tenho sentido a sua falta também
(And I have you on my mind)
E eu carrego você na minha mente
And you've been and you will be a part of me
E você tem sido uma parte de mim
(That I can't find)
Que eu não encontro
And you've been forgiven for your silence
Você tem sido perdoado pelo seu silêncio
All this time when I would have said
Por todo este tempo eu teria dito

Wait, and please stay
Espere e por favor fique
Did you mean to push me away?
Você quis me afastar de você?
Please wait and just say
Por favor espere e simplesmente diga
Is there a way that could replace
Há uma maneira de substituir
The times you never said
As vezes que você nada disse
How've you been?
Como você tem estado?
Do you need anything?
Você precisa de algo?
Want you to know I'm here?
Gostaria de saber que eu estou aqui?
Want you to feel me near?
Gostaria de me sentir perto?

Yeah...and I hope
Yeah e eu espero
I hope that you will find your way
Eu espero que você encontre o seu caminho
Yeah...and I hope
Yeah eu espero
I hope there will be better days
Eu espero que haja dias melhores

17 junho 2008

Nunca pude entender como algumas pessoas sofrem e esquecem-se daquelas que nos querem bem, fariam tudo por nós e até nos propiciam momentos felizes.
Mas subestimei o poder do coração.
O ser humano é tão complexo, tem tantos mistérios, há coisas que nem mesmo a experiência traz respostas.
Dor... Mágoa... Tristeza.... Em algumas doses podem acabar com o mais forte dos grandes homens.

É triste abrir os olhos e não ver nada em volta.
É triste respirar e não sentir ar nenhum entrando ou saindo pelo corpo.
É triste ouvir e ao mesmo tempo continuar sem ser tocado.
É triste sentir e não sentir.
É triste andar e estar sempre no mesmo lugar.
É triste amar e nada ser.

16 junho 2008

Quase...

Ainda pior que a convicção do não e a incerteza do talvez é a desilusão de um quase.

É o quase que me incomoda, que me entristece, que me mata trazendo tudo que poderia ter sido e não foi.

Quem quase ganhou ainda joga, quem quase passou ainda estuda, quem quase morreu está vivo, quem quase amou não amou.

Basta pensar nas oportunidades que escaparam pelos dedos, nas chances que se perdem por medo, nas idéias que nunca sairão do papel por essa maldita mania de viver no outono.

Pergunto-me, às vezes, o que nos leva a escolher uma vida morna; ou melhor não me pergunto, contesto! A resposta eu sei de cor, está estampada na distância e frieza dos sorrisos, na frouxidão dos abraços, na indiferença dos "Bom dia", quase que sussurrados. Sobra covardia e falta coragem até pra ser feliz.

A paixão queima, o amor enlouquece, o desejo trái.

Talvez esses fossem bons motivos para decidir entre a alegria e a dor, sentir o nada, mas não são. Se a virtude estivesse mesmo no meio termo, o mar não teria ondas, os dias seriam nublados e o arco-íris em tons de cinza.

O nada não ilumina, não inspira, não aflige nem acalma, apenas amplia o vazio que cada um traz dentro de si.

Não é que fé mova montanhas, nem que todas as estrelas estejam ao alcance, para as coisas que não podem ser mudadas resta-nos somente paciência porém, preferir a derrota prévia à dúvida da vitória é desperdiçar a oportunidade de merecer.

Pros erros há perdão; pros fracassos, chance; pros amores impossíveis, tempo.

De nada adianta cercar um coração vazio ou economizar alma. Um romance cujo fim é instantâneo ou indolor não é romance.

Não deixe que a saudade sufoque, que a rotina acomode, que o medo impeça de tentar.

Desconfie do destino e acredite em você. Gaste mais horas realizando que sonhando, fazendo que planejando, vivendo que esperando porque, embora quem quase morre esteja vivo, quem quase vive já morreu.


(Autoria atribuída a Luís Fernando Veríssimo, mas que ele mesmo diz ser de Sarah Westphal Batista da Silva, em sua coluna do dia 31 de março de 2005 do jornal O Globo)

15 junho 2008

um lado sozinho [?]

Às vezes cansa ser aquela pessoa que está sempre ali.
O doido que faz as loucuras mais inimagináveis...
Tenho ido além das minhas forças, mesmo sem ter nada em troca.
Parece até que não existe nada ali do outro lado...


Mas pôxa!
Também quero ser amado
receber carinho...
O seu!
Um carinho qualquer que seja.

Posso ter mil amigos, mas é você quem me faz falta!
Tenho me sentido tão só
Longe de você...
Fecho meus olhos pra sonhar contigo


Cansa ser apenas um lado sozinho.
Jogado à própria sorte.

Vontade de ir embora... De fugir... Pra não sentir mais nada...

Que a vida me dê forças!

Enquanto isso, sigo te amando, ainda que infeliz.

03 junho 2008

estrela sem céu

Sabem quando algo é tão certo mas acaba dando incrivelmente errado?

Quando por um segundo só, tudo simplesmente escorrega das nossas mãos?
E então ficamos ali, parados, que nem bobos, olhando a coisa se esvaindo e deslizando lentamente para tão longe que já nem conseguimos mais enxergar...
Como se os pés estivessem colados no chão, e o passo se transforma numa inútil tentativa de querer atingir aquilo, então inalcançável.

Ninguém pode sequer mensurar a dor que existe em cada um dos mil pedaços em que me encontro.
Alguns flutuam, outros estão submersos. Há os pedaços que tremem e até os que estão em constante sublimação.

Oras... Palavras! - Quão estúpidas parecem!
Frias e vazias, dirá qualquer homem sensato.

Mas não!
Sinto e está aqui: Ao meu redor, em mim, sobre mim, por debaixo dos meus pés, em cada ponta de pêlo meu!

"Sái!" Ordena minha pobre mente, mutilada pelas lembranças e sensações.

Corro em volta de minha própria vida.
Tentativas fracassadas de partir para o infinito se acumulam junto aos papéis amassados e borrados do lixo de meu quarto.

Somente a minha respiração tem conhecimento do tamanho pesar que sinto.
Suspirar profundo...

.
..
...

Maldita sombra travessa que insiste em perfurar meu eu
a cada dia...
minuto...
segundo.

E tudo se estende a uma totalidade inimaginável.

Ao fim de tudo, me descubro tão pequeno...
Um tolo grão de areia, que nada importa aos seus olhos.

sabes o quanto me machuca?
mas sei que também o fiz.
às vezes o que menos queremos acaba acontecendo.
por um triz.

o próprio raio do sol já não confia mais em mim
sussurra-me acusando de louco e indigno.
e me deixa na escuridão, sem direito às estrelas!

sou eu uma estrela sem céu.
tal qual a triste nebulosa
a estrela morrendo...

não deixa mais refletir o meu brilho
não deixa nem mesmo minhas palavras desenharem as mensagens que guardei para você.

e o abismo ficou.
grudadoentrenós.

o silêncio grita em meus ouvidos.

[meu coração ficou na zebrinha infeliz]

08 maio 2008

Estranhos na minha vida...

O mundo gira incessantemente sem que possamos nem ao menos perceber
Aqui permaneço escondido atrás da cortina da vida
Milhares de palavras sufocadas descem arranhando minha garganta
Sinto-me vagando sem destino
É ridículo e decepcionante continuar nesta estrada

Nada mais é como antes
Quando vejo meus olhos refletidos no espelho
Já nem vejo mais o brilho que você me deu um dia
Parece que faz tanto tempo...
Mas a sua presença persiste em ficar na minha sombra

Eu errei tanto com você
Se eu pudesse atravessar novamente esse véu que te protege
E espantar esses fantasmas todos que ficaram...
O seu silêncio faz a minha voz parecer tão inútil
Olho ao meu redor e vejo apenas as paredes frias e sem vida

Há estranhos na minha vida
E o maior de todos eles sou eu mesmo

O perigo continua dentro nos seus olhos
Você já não é aquele que um dia eu conheci
Porém quando o frio bate, é a sua mão que me segura
Mesmo que por ilusão...

18 dezembro 2007

**Dezembro***



Um turbilhão de sentimentos
Ronda minha mente
E pode ser simplificado
Apenas pelo desejo de ver-me refletido nos seus olhos
De poder ter para mim as suas melhores palavras
Não é egoísmo
Tampouco aquele ciúme besta
Tudo o que sou
É simplesmente um pequeno coração
Pedindo a sua proteção...
Pedindo por você.

Que tolice
Sentir-me abandonado assim...
Vendo estrelas sumindo no horizonte
E viver de doces lembranças:
A dos dias tão perfeitos...
Das mensagens nos horários certos
O dormir feliz.
E viver impulsionado com a esperança:
De uma vida ao teu lado.

O sentimento está aqui dentro
E não me deixa descansar.
Ele voa dentro do meu estômago
Me incomoda, sofre, arde e alivia.
Ilumina, sorri e transcende.
A brisa toca minha pele
Parece sussurrar tais palavras...

Sorte é deixar-se entregar à vida
E ter a certeza de viver um amor-com-guaraná-na-mesa
Em preguiçosos dias tranquilos.
Tudo vai dar certo...
Ah, vai...!
Não quero viver com tantos senãos...

A lágrima que não era pra existir, corre travessa sob o calor gelado do meu sangue.

Quanta bobagem, se esconde dentro de um coração humano!

17 outubro 2007

Desde que te vi...

Um belo dia nós juramos, ser amigos até o fim...
Mas hoje me atrevo a confessar-te, o que eu sinto por ti.
Dia a dia eu me pergunto
O que digo ao meu coração
Que se sente abandonado
Derretido por teu amor...
Sem rumo, estou perdido, não posso mais disfarçar...
Sinto muito, meu amigo
Sinto muito mas eu tenho que contar:

Desde que te vi
Tudo é tão distinto para mim
Porque o seu coração viverá sempre em mim
Desde que te vi
Soube que eras para mim
Que minha vida é você
E só quero viver junto a ti...
Desde que te vi.

[música de Floricienta]

Labirinto...


Labirinto

Por favor, não chore:

Vamos cruzar o bosque da vida...
Será inevitável que te assustes
Haverá momentos em que te sentirás perdido
Noites negras, terás que enfrentar
Todavia, estarei contigo para dividir todas as dores.

Tudo é confuso
Tudo parece tão escuro
Não olhe para trás, pois lá não há saídas...
Encara com teus olhos brilhantes, o labirinto da vida...
Mê dê a sua mão, que estarei contigo.

Tantas vezes nos perguntamos
Onde está o céu?
Para onde estamos indo?
Se nos distrairmos, poderemos nos perder para sempre...
Por isso segure bem forte a minha mão
Aceite-a,
Juntos nós encontraremos tudo o que buscamos

E se acaso você se perder,
Procurarei incansavelmente pelo seu rosto entre todos os espelhos
Até mesmo nas sombras se for necessário
Nunca se dê por vencido, se nada estiver dando certo
Busque outro caminho, sempre há uma saída
Te encontrarás no seu labirinto
Deverás cruzá-lo todo para chegar à saída
E virá ao seu encontro, a luz da vida
E a sua noite negra dará lugar à luz do dia...


"...é como se eu não tivesse mais lápis de cor azul para pintar o céu..." by Eduardo Cavanus.

" Eu me adaptei àquilo que a vida me deu."

16 maio 2007

ainda vivo

Às vezes penso que você é só um personagem de um belo filme
E eu, o espectador exatasiado na plateia.
Estranhamente, intimamente ligado àquele que me causa um tudo.
Ansiando que do nada eu seja sugado pela película
E então, enfim, acabe interagindo contigo
Sensações confusas como a de um sonho maluco que de vez em quando temos
Ou, quem sabe, você magicamente saia da tela do cinema
E em silêncio se aproxima de mim.
E me toca...
Como fosse um surreal encontro de duas criaturas ligadas pelo inexplicável
Já nem sei mais se estou delirando ou se somos algum tipo de arte desconhecida que o mundo ainda não inventou.

17 fevereiro 2007

Capítulo 3 - Rebeca

O Outro Lado Do Portal

Capitulo 3 – Rebeca.

- Ela me paga! Me paga! – Giorgio despertou na manhã seguinte com o som de uma voz feminina aos berros. – Maldita hora que isso foi acontecer.
Curioso, Giorgio levantou da cama, esfregou os olhos e saiu do quarto. Quem será que está gritando à essa hora da manhã? Pela voz, não pode ser a Sarah. Ao chegar à sala, encontrou uma moça com a cara mais vermelha do que um tomate. Estava furiosa e andava de um lado para o outro. Usava trajes hippies, sandálias e carregava uma bolsa de crochê. Sentada no sofá, espantada, encontrava-se Sarah segurando um copo d´água.
- Você tem certeza de que não quer água? – Sarah esticou o braço oferecendo o copo para a moça.
- Água? Quem disse que eu preciso de água?! Olha bem pra mim! Eu estou muito calma... Muito calma! Apenas estou com vontade de assassinar uma certa criatura! Eu estou calma, calmíssima. – Nesse instante, a moça, nervosa, notou a presença de Giorgio – Estou tão calma que já estou até enxergando o seu novo namorado, Sarah!
Sarah virou-se para trás, viu que o primo estava parado à porta e logo tratou de apresentá-los um ao outro.
- Oh não, não. Não é meu namorado. É meu primo Giorgio! Giorgio, esta é a Rebeca. Minha amiga de infância. Rebeca, este é o meu primo Giorgio. Aquele que eu disse que iria morar comigo, lembra?
- Olá... – Cumprimentou Giorgio, intimidado com a fúria da moça esquisita de roupas hippies. – Tudo bem?
- Tudo péssimo. Minha madrasta fugiu pra Bósnia com o namoradinho tailandês e me deixou praticamente sem nada. A desgraçada passou todos os bens do meu falecido pai pro nome dela... Tudo o que me resta é um muquifo com um sofá velho e 3 panelas furadas...
- E o colchonete da sua bisavó... – Acrescentou Sarah.
- Ah, e o colchonete-com-cheiro-de-velho que era da minha bisavó. É tão velho que ela trepava com o Marechal Deodoro da Fonseca naquele projeto de colchão. Mas enfim. Agora tenho que pensar em como vou me manter. Aquela mucama ficou até com o dinheiro da poupança que meu pai deixou pra mim. – Rebeca estava inconformada.
- Calma miguety... Tudo vai ficar bem. Pelo menos a nossa escola é de graça. Nós passamos com louvor nos testes de admissão. A bolsa vai ser free! – Sarah tentou consolar a amiga, que espumava de raiva.
- Ok, ok... Pelo menos isso. Depois vou procurar um advogado para resolver essa história. – Rebeca aproximou-se da janela e acendeu um cigarro. Giorgio sentou-se ao lado da prima.
- Se você quiser tomar café, a mesa da cozinha está pronta... – Falou prontamente Sarah para Giorgio.
- Não, obrigado... Mais tarde eu como alguma coisa. – Giorgio ainda estava desnorteado com a sua situação. Estar num lugar diferente, com pessoas diferentes e em uma época diferente deixava-o sentindo-se como um peixe fora d´água.
- Então Giorgio, você vai estudar na PopoMusical com a gente? – Questionou Rebeca enquanto tragava o seu cigarro.
- Ahm... Quê? – Giorgio não sabia o quê dizer.
- Vai sim! O Giorgio foi admitido no curso de vocal da PopoMusical. – Sarah respondeu. O que deixou Giorgio grato por não ter que falar nada. Mas agora, ele não estava entendendo nada mesmo. Curso de vocal? PopoMusical? Que diabos seria aquilo?!
- Você gosta de cantar? Eu vou fazer curso de bateria. – Rebeca já estava acendendo o seu segundo cigarro. – Os rapazes do curso de vocal costumam ser maravilhosos! Lindos... Bonitos e gostosões... Uh! Aquele alemão do terceiro ano é um pão! Possua-me! – Rebeca arrepiou-se toda.
- Pena que quase todos são gays... – Lamentou Sarah num tom de voz baixo.
- Gays! Que desperdício de homem nesse planeta! – Rebeca finalmente jogava o seu cigarro fora. – Não me diga que você também é um...? – Agora a moça olhava para Giorgio, que permanecia observando calado a tudo.
- Errr... Sou. – Respondeu Giorgio sem graça.
- Não é o máximo?! – Sarah abriu um largo sorriso. – Agora tenho alguém pra dar um selinho nas festas! – Sarah apertou a mão do primo e piscou.
De repente, do nada, a bolsa de Rebeca começou a emitir luzes das mais variadas cores e a apitar uma música estranha e robótica. Giorgio assustou-se. Rebeca abriu a sua bolsa e pegou um aparelhinho, apertou algum botão, e levou o objeto ao ouvido e começou a falar.
- Felícia?
Giorgio olhou para Sarah sem entender nada.
- Não se assuste. O celular da Rebeca é esquisito mesmo. Ela está falando com a namorada dela. – Explicou calmamente Sarah.
- Celular? Namorada? – Giorgio não sabia sequer o que era celular. E a informação de que Rebeca tinha namorada também o deixou surpreso.
- Hellow?! Celular, objeto usado para conversar com outras pessoas. E sim, ela tem namorada. A Rebeca diz que o mundo é bi...
- Ah, acho que entendi. – Giorgio levantou e resolveu ir até cozinha tomar o seu café. – Vou tomar meu café, ok?
- Ok, acho que também vou contigo. – Os dois primos entraram na cozinha e deixaram a amiga na sala conversando com sua namorada.
- Ela é sua melhor amiga? – Perguntou Giorgio, enquanto sentava-se à mesa e servia-se de café.
- A Rebeca? Sim, sim... Ela e a Valentina. A Valentina mora na casa vermelha que fica aqui em frente. Também somos amigas de infância. – Respondeu Sarah enquanto passava manteiga na sua torrada.
- Hum. E quando começam....as nossas aulas...no....PopoMundo? – Já que não tinha alternativa, Giorgio convenceu-se de que tinha que se adaptar ao novo mundo. Seja lá o que fosse, teria que encarar. O Professor Dumbledore e a Professora Mônica não teriam lhe mandado ali se não fosse por um importante objetivo.
- PopoMusical. – Corrigiu Sarah. – Começam daqui uma semana. Nós dois vamos estudar na mesma classe. A Rebeca vai fazer Bateria sozinha. Diogo vai fazer dança, Valentina ainda não terminou a escola, e o Roger está no segundo ano de Guitarra e Flauta. Esses são os meus amigos, que a partir de agora serão os seus também.
- Legal. – Respondeu Giorgio. Talvez estar ali nem seria tão mal assim. Um novo mundo parecia muito interessante para ele. Conhecer pessoas diferentes e fazer coisas diferentes o deixariam animados logo, logo. Apenas precisava falar com o Professor Dumbledore. Ele tinha que explicar-lhe o que estava acontecendo. Quem sabe ele conseguiria enviar alguma mensagem para Dumbledore através de algum espelho. Os anjos costumavam comunicar-se entre si através de espelhos. E pelo que lembrava, havia dois espelhos em seu quarto.
- Giorgio? Está me ouvindo? – Giorgio estava tão absorto em seus pensamentos, que não ouvira a prima oferecendo-lhe mais café.
- Não, não, obrigado. Já tomei café o suficiente. – Agradeceu Giorgio. – Posso tomar banho?
- Claro! No seu quarto tem um banheiro. Ele é seu. Fique a vontade.
Enquanto Giorgio levantava-se para tomar banho e tentar alguma comunicação com Dumbledore, Rebeca entrou na cozinha.
- Hoje é o dia: Eu e a Felícia discutimos. Ela quer ter uma conversa séria comigo. Marcamos de nos ver hoje à tarde no Pub´s Grill. – Rebeca parou diante da janela da cozinha e puxou outro cigarro.
- Rebeca! Pare de fumar! – Protestou Sarah.
- Têm tequila sobrando ai? – Perguntou Rebeca, sem se importar com o protesto da amiga.
- Tequila?! Mas são 9 horas da manhã Rebeca!!! – Sarah não conseguia acreditar no que acabara de ouvir.
- Mas eu preciso me embriagar! Quero beber até eu estiver tão tonta, a ponto de dançar Macarena em cima do altar da igreja.
- É ruim hein? – Sarah levantou-se também e começou a tirar a louça da mesa enquanto Giorgio enfim foi para o seu quarto tomar banho.